Projeto Amigas da Leitura - Desde 2004

By: amigas da leitura vestibular

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Saturday, 21-Jun-2008 02:35 Email | Share | | Bookmark
Saiu a nova lista do vestibular 2009 da UFC:


 Romance

Aves de Arribação
(Antônio Sales)

Dias e Dias
(Ana Miranda)

O Mundo de Flora
(Ângela Gutierrez)

O Encontro Marcado (Novo)
(Fernando Sabino)

 Teatro

Três Peças Escolhidas
(Eduardo Campos)

 Crônica

Entre a Boca da Noite e a Madrugada
(Milton Dias)

 Poesia

Cordéis e Outros Poemas
(Patativa do Assaré)

Notícias de Bordo (Novo)
(Linhares Filho)

 Conto

Felicidade Clandestina (Novo)
(Clarice Linspector)

Trapiá (Novo)
(Caio Porfírio Carneiro)


Friday, 23-Mar-2007 00:29 Email | Share | | Bookmark
***DOS VALORES DO INIMIGO *** Pedro Salgueiro***

Dos Valores do Inimigo
AUTOR: Pedro Salgueiro
GÊNERO: Conto
ESCOLA: Literatura Contemporânea

1. BIOGRAFIA DO CONTISTA

Pedro Rodrigues Salgueiro nasceu em 1964, em Tamboril, cidade situada no sertão de Inhamuns, a região mais seca do Ceará. Fez Pedagogia na UECE e na UFC cursou Agronomia e História. É funcionário publico do poder judiciário. O seu primeiro livro de contos O peso do morto, publicado em 1995 pela editora Giordano, de São Paulo, mereceu justos louvores de crítica, que lhe concedeu os méritos de ficcionista e lhe destacou a singular capacidade de transformar a matéria-prima do cotidiano em literatura de boa-qualidade.
Instaurou um projeto de escrita no qual inseriu suas convicções, suas hesitações, “parte do pequeno e do comum em direção ao que é demasiado humano”, escreve Ethel de Paula. Tocou profundamente o poético, elaborando um texto “quase prosa”, “quase verso”, desarticulando as expectativas, conferindo ao conto a marca de seu estilo, renovando-o, conduzindo a fronteiras de difícil superação, legitimando o direito à permanente pesquisa estética, impedindo a estagnação do fazer poético.

2. ESTILO DO AUTOR

“ Pedro Salgueiro é um ficcionista conciso. Seus contos, fundados principalmente pelo universo mítico do vasto repertório do fabulário nordestino, revestem-se de uma atmosfera inquietante, reveladora de mistérios, evidenciando uma manifesta preocupação com o implícito, com o faro apenas sugerido. Na esteira do clima de Mistério, Pedro demonstra também fascínio pelo surreal, pelo fantástico, gerando um teor abafante do sobrenatural. A morte é um tema recorrente , às vezes, concebido de forma trágica, outras vezes imbuídos de intenções humorísticas”
Paulo Lobão.

3. OBRA

“Meus pequenos contos tratam do homem comum frente ao inesperado, aos pequenos assombros cotidianos; desde o vazio existencial até o espanto diante da morte. Trato dos eternos problemas do homem, que são os mesmos desde que o homem é homem, mas nunca tento dar respostas a estes problemas, apenas procuro colocar algumas pertinentes (ou impertinentes), ver detalhes imperceptíveis ao olho apressado do dia-a-dia, enfim, tento ver o incomum no comum.”
Pedro Salgueiro
• DOS VALORES DO INIMIGO POR: Mônica Feitosa

Os contos reunidos sob o título Dos valores do inimigo (2005) conservam traços básicos da narrativa, ou seja, enredo , personagem, espaço, e tempo. Como fatores de equilíbrio internos, eles mantêm um fio narrativo, o que permite ao leitor acompanhar, na estrutura da narração, o desenvolvimento da ação, às vezes, mínima.
Dos valores do inimigo enfeixa histórias de mulheres, crianças, e adolescentes, jovens maduras e de alguns homens encarcerados em dor e prazer, dramas e alumbramentos. Represa e susto, morte e clima sobrenatural, humor e ironia. A escrita de Pedro Salgueiro joga o leitor em zona de intenso conflito e obriga-o a conviver com jogos de sutilezas e dissimulações do narrador.
No projeto explícito de pensar o ser no mundo, a temática salgueiriana surpreende os gestos do cotidiano, marcados pelas impressões das pequenas coisas. Nesse processo, personagem e narrador, muitas vezes interagem-se , o que confere aos contos peculiares de variação de ponto de vista , ou seja, ora o narrador ocupa o espaço da escrita com sua visão do mundo, apresentando a história , ora confunde-se com a personagem , permitindo ao leitor ver e sentir a partir da inserção de vozes narrativas entrelaçadas.

3. BIBLIOGRAFIA

1995- O Peso do Morto
1996- O Espantalho
2000- Brincar com Armas
2005- Dos valores do inimigo

4. PRÊMIOS

• O PESO DO MORTO: Vencedor do I Festival de Cultura da UFC, 1992 e II Prêmio Ceará de Literatura, 1994.
• DOS VALORES DO INIMIGO: Soluço antigo, A espera, O desaparecido,Urubus- II Prêmio Ceará de Literatura ,1994, SEDUC.
• DOS VALORES DO INIMIGO: Vencedor do II Festival Universitário de Cultura-UFC-1993.
• A rua do cemitério - Vencedor do III Festival Universitário UFC, 1994.
• Urubus – Recebeu menção honrosa do Prêmio Literário Cidade de Fortaleza, 1994.
Pedro foi agraciado duas vezes Secretaria de Cultura de Fortaleza, IV e V Prêmios Cidade de Fortaleza.
A obra Brincar com armas levou o Prêmio da Biblioteca Nacional ( bolsas para obras em curso). Em 1997, o nosso contista venceu o concurso Guimarães Rosa de Literatura, na França, promovido pela Rádio France Internationale. Ainda organizou o Almanaque do Conto Cearense que lançou os escritores cearenses da década de 90. Esse projeto teve sua continuidade com Caos Portátil: um almanaque de contos cearenses, a única revista de contos em vigor atualmente no Brasil.
OBRAS INÉDITAS que deverão ser publicadas brevemente:
• Movimento esperado – conto
• Fortaleza voadora - crônica
• Torcedor do Fortaleza - crônica


5. ALGUNS COMENTÁRIOS CRÍTICOS DA OBRA DE PEDRO SALGUEIRO

“A presença pesada da morte, o clima abafante do sobrenatural e, de vez em quando, a nota de humorismo às vezes irônico são alguns traços mais presentes nos contos desse jovem mestre do gênero entre nós”.
Sânzio de Azevedo

“O alto nível poético das narrativas curtas contribui para a legitimação de Pedro Salgueiro como contista, que sabe reinventar os caminhos da literatura e recuperar os diversos estágios e acertos da sua mais bela tradição, provando-nos que a arte não está fadada ao enfrentamento da superação e que são muitas as possibilidades que um escritor pode utilizar”.
Dimas Macedo


“ Pedro Rodrigues Salgueiro insere-se entre os autores de histórias curtas de linha estética ampla, que vai do regionalismo aparentemente estreito à divagação fugidia, pendulando ao longo do veio criador elástico do moderno conto brasileiro e universal....
O livro de estréia — O Peso do Morto — , com seu universo centrado no Nordeste, é mais que uma surpresa, porque é um susto continuado. Por trás das vinganças, dos crimes, da alegria da vidinha miúda interiorana, o que vem ao vivo, com toda a sua pesada carga acusatória, é o atavismo medonho, fugidio e tão presente (a divagação fugidia citada...), que acorrenta as gerações da região a uma autoculpabilidade quase doentia e a uma ávida busca de redenção dela. Ou seja: o eterno passado e suas ressonâncias tão presentes. Bastaria a citação de A Longa Espera, conto que abre o livro, tomado ao acaso, para se ver isto em toda a sua dimensão fascinantemente bela e trágica. E o trágico aqui é uma constante, que aprofunda a solidão em família, que dói, que assusta e que, tal como o cantado e decantado palhaço, leva ao riso.
Toda essa roldana de tragédias herdadas da história da região, para não dizer do País ou do Continente, e seus desdobramentos que vão do horror ao riso, esse riso de indiferença ou falsidade, Pedro Rodrigues Salgueiro expõe e documenta em O Espantalho, seu segundo livro. Neste, a saturação criadora, de impactos implícitos, não é tanta quanto no livro anterior, porque o autor, sempre em busca de novos caminhos formais e estéticos, permite que aragens, pinçadas do variadíssimo mapa da ficção curta, porejem o texto, dando-lhe uma primeira visão de desnivelamento criador. Mas não é isto. Ao revés, embora algumas criações não estejam em sintonia em conteúdo e forma para maior valor gregário da obra, o que se vê, e surpreende, é a hábil capacidade de Salgueiro de sair do drama de Os Inimigos para o anedótico O Apelido, para a crônica de O Homem Bem Sucedido, para o narrativo Na Praça ou para o humaníssimo de Um bêbado... sem maiores sustos no processo de criação. Daí a referência ao pendular.... Não importa muito, embora importe ao autor, o agrupamento dos contos em blocos, quase diria capitulares, por motivos temáticos ou de abordagem criadora. O primeiro livro — O Peso do Morto — divide-se em quatro partes, e O Espantalho em sete, cada uma delas reunindo alguns trabalhos. Isto preserva apenas, queremos crer, o cuidado do autor em bem ordená-los.
Mas o que vale, em essência, é a força ficcional deste escritor, que chegou com tudo, e para ficar; o que importa é que qualquer contista que entrega ao público esta pequena obra-prima que é Epopéia, para só citar esta, de O Espantalho; o que é notável é esse fôlego assustador que exsurge de A longa Espera, logo ao abrir de O Peso do Morto. E se descobre, com vívida surpresa, a capacidade do escritor para o miniconto, de difícil fatura e de poucos bons cultores no País.
Caio Porfírio Carneiro

“A linguagem é a da narração espontânea, sem rodeios, objetiva, seja na primeira, seja na terceira pessoa, sem descrições longas e enfadonhas e sem aqueles tradicionais e vulgares diálogos diretos, tão freqüentes na literatura regionalista ou regionalizada de alguns prosadores.”
Nilto Maciel



6. O TÍTULO DA OBRA
Para explicar o título da obra, nada melhor do que as palavras do próprio autor.
“Os amigos são muito complacentes com os nossos defeitos, sempre achei que somente os inimigos são sinceros, não titubeiam: vão direto em nossas feridas. Portanto, além desta qualidade, os inimigos têm muitas outras:também infinitas utilidades; dificilmente procuramos melhorar-nos para agradar a um amigo, mas movemos montanhas para superar um desafeto. Sempre medi a importância de um sujeito pelo pela qualidade de seus inimigos , um grande sujeito terá obrigatoriamente grandes inimigos; por isso, não me atribuo muita importância, devido à mediocridade dos meus inimigos”.
Pedro Salgueiro
7. PARTES DO LIVRO

Dos valores do inimigo é composto de 46 contos, divididos em três partes, que para o autor é apenas uma divisão pessoal, o livro tem lógica própria, um fio narrativo que orienta sem didatismo. Em Acontecimentos o autor reuniu contos em que o incidente cotidiano é mais importante que a personagem ; em Dos valores do inimigo narra histórias dramáticas, ligadas à violência e à morte, nestes contos há uma verticalização das personagens ; já em Soluço Antigo os contos são histórias de velhos, a personagem assume o palco com suas angústias e medos.


8. CARACTERÍSTICAS DOS CONTOS

• Concisão, síntese;
• Inserção do inusitado no cotidiano;
• Presença do insólito e do sobrenatural;
• Anti-didatismo: estímulo à reflexão do leitor sobre os fatos e comportamentos, sem, no entanto, oferecer-lhe respostas ou opiniões;
• Linguagem simples, sem rebuscamento;
• Suspense , mistéro e ambigüidade;
• Humor e ironia;
• Teor psicológico e existencial;
• Reincidência dos tema da morte, das perdas, da desolação, da velhice, da tristeza, da violência , dos temas psicológicos e existenciais;
• Narrativas de detalhes ( descrições);
• Discussões de caráter metalingüístico;





Tuesday, 12-Jul-2005 00:00 Email | Share | | Bookmark
ESTES SAO OS LIVROS INDICADOS PARA O VESTIBULAR!!!

VOCE ALUNO INTERNAUTA, PODE CONFERIR JA ALGUMAS ANALISES ABAIXO! VOCE TERA A POSSIBILIDADE DE FAZER UMA LEITURA COM UM CONHECIMENTO PREVIO MAIOR, COM AS CHAVES ABAIXO, ASSIM VOCE CONSTRUIRA COM A LEITURA A SUA COMPREENSAO, ENTAO BOA LEITURA !!!!!

ROMANCE
A Casa (Natércia Campos)
Ana Terra (Érico Veríssimo)
Dona Guidinha do Poço (Manoel de Oliveira Paiva)
Inocência (Visconde de Taunay)
Rosa Vegetal de Sangue (Carlos Heitor Cony)
Vinha dos Esquecidos (João Clímaco Bezerra)

CONTO

Dos Valores dos Inimigos (Pedro Salgueiro)


POESIA

Palimpsesto e outros sonetos (Virgílio Maia)

CRONICA]

Moça com Flor na Boca(Airton Monte)
Os Bruzundangas (Lima Barreto)


Friday, 8-Jul-2005 00:00 Email | Share | | Bookmark
CHAVES PARA LEITURA DE: A VINHA DOS ESQUECIDOS

JOÃO CLÍMACO BEZERRA


• AUTOR

Cearense, cronista, romancista, novelista e jornalista, nascido em Lavras da Mangabeira, em 30 de Março de 1913. Formou-se em Direito, mas nunca advogou; ingressou no jornalismo; foi professor de Psicologia, exercendo magistério na Escola Normal Justiniano de Serpa e na Escola de Administração da Universidade Estadual do Ceará. Exerceu, até a aposentadoria, o cargo de Diretor Técnico de Educação da Secretaria de Educação do Ceará; trabalhou na célebre revista “Cruzeiro”. Participou do Grupo Clã, o movimento modernista cearense, ao lado de imprescindíveis autores tais como Moreira Campos, Artur Eduardo Benevides, Durval Aires, Antônio Martins Filho(fundador da UFC) e outros nomes muito importantes.
João Clímaco Bezerra reside há anos no Rio de Janeiro e encontra-se enfermo.

• OBRAS

 Não há Estrelas no Céu (1948) - romance
 Longa é a Noite (1950) - novela
 Sol Posto (1952) - romance
 O Homem e seu Cachorro (1959) - crônicas
 Juvenal Galeno (1959) - ensaio
 Humberto de Campos (1965) - ensaio
 O Semeador de Ausências (1967) - crônicas
 A Vinha dos Esquecidos (1980) - romance

• CARACTERÍSTICAS DO AUTOR

A lavra intelectual de João Clímaco Bezerra vem produzindo frutos que bem perto interessam à história da nossa evolução literária. Vitorioso já nas incursões que tem realizado no campo do romance, de que são provas incontestes Sol Posto (1952) e Não há Estrelas no Céu (1948); senhor do seu ofício de cronista nato, novelista já tantas vezes aplaudido e jornalista na mais exata expressão da palavra, vocacionado e autoproclamado. Em A Vinha dos Esquecidos (1980), se não alcança o clímax de sua carreira de ficcionista, pelo menos mantém a mesma postura que lhe tem garantido um lugar de destaque no quadro atual da literatura brasileira.
O apego que João Clímaco tem demostrado às sua raízes, lhe tem ensejado a concepção de uma obra totalmente voltada para a nossa problemática. Assim, não é sem razão que é tido como um dos criadores do chamado romance cearense. E também não seria para menos. Daí ser classificado por alguns como sendo um escritor tipicamente regionalista. Mas não seria essa tônica regionalista que iria caracterizar sua obra ficcionista, e sim, todo um conteúdo telúrico que tem emprestado aos frutos do seu trabalho literário, uma vez que recria um ambiente onde a infância confunde-se com a própria região onde habita com seus valores e eterniza-se com as suas desgraças, condicionado que se encontra a essa realidade por um determinismo da própria existência.

• CARACTERÍSTICAS DA OBRA

Nos 35 capítulos da obra, encontramos narrativa heterodiegética com acessibilidade lingüística, número atraente de discursos diretos, além dos discursos indireto e indireto livre, alguns até fazendo uso de palavras de baixo calão; encontramos, não raramente, flash-bach; há personagens bem definidos, abundância de criticidade, regionalismo, intensa intertextualidade bíblica; recorrente uso de latinismos; presença dos dois protagonistas (padre Anselmo e Zacarias); idealização de alguns personagens, como seu Leandro; personagens reais, como o padre Mundoca; discursão acerca de temas polêmicos ou inquietantes, como o segredo de confissão ou a educação sexual; há temas emocionantes como a amizade, o amor, e sociais, como a justiça ou a falta dela. Podemos apontar portanto, temáticas super relevantes e recorrentes no romance de Clímaco:

 Morte
 Desigualdade social
 Prostituição
 Injustiça
 Segredo de confissão
 Crises existenciais
 Racismo
 Tentação
 Casamentos formal e informal
 Religiosidade/crenças em milagres
 Educação sexual


• OUTROS TÓPICOS

 TÍTULO

O título do romance remete à existência de uma população esquecida, assistida por um padre também esquecido.
(...) Agora as pregações haviam dado uma guinada de extremo a extremo. De tudo proibido passara para tudo permitido. Sinal dos tempos. Padre Anselmo não gostava de ameaças de castigo. Preferia mostrar Jesus, o doce Jesus, como o cordeiro de Deus que viera tirar os pecados do mundo. O Ser Supremo que tudo o todos perdoava. E tinha a predileção especial pela palavra “vinha”. (...)

 CONSERVADORISMO

A Igreja era ligada ao conservadorismo. Logo, padre Anselmo seguia este caminho. Mas com a chegada de um novo padre, padre Pierre, que trazia idéias libertadoras da Europa, todos se vêem escandalizados.

 TEMPO

Pelos indício de modernidade que a cidade começa a tomar conhecimento, possivelmente a história ocorre na Segunda metade do século XX.
Embora haja o tempo psicológico, é o cronológico que ainda norteia a seqüência das ações.

 OUTROS PERSONAGENS


 Isaura
 Alice
 Maria
 Justino
 Leandro
 Pedrinho
 Inácio
 Joana
 Padre Pierre
 Zé Sacristão

 CAPÍTULOS

No primeiro capítulo, temos a apresentação dos dois personagens principais. A partir de então, os capítulos alternam-se entre a trajetória de um e de outro, dedicando-se os ímpares ao padre Anselmo e os pares ao Zacarias.


Thursday, 7-Jul-2005 00:00 Email | Share | | Bookmark
Chaves para: ROSA VEGETAL DE SANGUE

 
ROSA, VEGETAL DE SANGUE

CARLOS HEITOR CONY


• AUTOR

VIDA: Filho de uma família de classe média carioca, Cony estudou em seminário de onde saiu um pouco antes de se ordenar padre. Ingressou então no jornalismo, atuando como repórter, editorialista e cronista. Em 1961, começou seu trabalho no célebre jornal Correio da Manhã, que faria dura oposição ao Regime Militar instalado em 1964. Nesta época, Cony escreveu uma série de artigos de crítica à nova ordem, que foram reunidos em O ato e o fato. Por algum tempo, ele foi obrigado a esconder-se para evitar a prisão. Apesar disso, foi preso vários vezes durante a Ditadura Militar. Ainda nos anos 60, o escritor passou a colaborar com a revista Manchete, dirigindo, inclusive, várias outras revistas do grupo. Em 1973, após a publicação do romance Pilatos, declarou que abandonaria a literatura. Contudo, em 1995, depois de um silêncio de mais de vinte anos, voltou à ficção com o lírico romance Quase memória, de cunho autobiográfico. A seguir, escreveu outros romances e livros de crônicas.

• OBRAS PRINCIPAIS

 Romances: O ventre (1956); A verdade de cada dia (1959); Informação ao crucificado (1961); Matéria de memória (1962); Antes, o verão (1964); Balé branco (1965); Pessach: a travessia (1967); Pilatos (1973); Quase memória (1975); Rosa, Vegetal de Sangue (1979); A casa do poeta trágico (1997); O laço Cor-de-rosa (2002).

 Contos e crônicas: O ato e o fato (1964); Sobre todas as coisas (1968).


• CARACTERÍSTICAS DO AUTOR

A ficção de Carlos Heitor Cony, pelo menos em suas obras inaugurais, filia-se a uma tradição narrativa carioca, expressa entre outros pelos romances de Manuel Antônio de Almeida, Lima Barreto e Marques Rebelo. De fato, o registro dos costumes do Rio de Janeiro, o realismo exterior e a prosa simples e coloquial que surgem nos primeiros relatos de Cony, ainda na década de 1950, parecem confirmar a ascendência ilustre.
No entanto, como frisou Otto Maria Carpeaux, há também nestes romances (O ventre, A verdade de cada dia, Tijolo de segurança etc.) algo que transcende à mera fixação de costumes. É visível nas narrativas de Cony uma tendência à problematização da existência e ao aprofundamento psicológico. Portanto, mais do que expressão de um neo-realismo tardio, estas obras expõem personagens em tormentosas situações de angústia, solidão e náusea, numa linha que parece ter sua matriz nos romances de Sartre e Albert Camus. Seus personagens são sempre inadequados à família, à classe e ao meio em que vivem. Geralmente, pertencem à classe média e, na melhor das hipóteses, encontram sua alternativa numa espécie de aceitação cínica da vida, adequando-se à realidade como ela é: suja, feia e feroz.


• CARACTERÍSTICAS DA OBRA

Podemos enquadrar Rosa, Vegetal de Sangue dentro da vertente neo-realista, por expor a realidade social tal como ela é e por ser expressão da escrita de Cony. Entretanto, se levada em consideração a cronologia da obra, devemos considerá-la como pós-modernista.

 E o que é Neo-realismo? Movimento literário português e italiano. Em Portugal, começou em 1940, com a publicação de Gaibéus, romance de Alves Redol; já na Itália, por volta de 1945, com o término da Segunda Grande Guerra.
Herdeiro do Realismo Oitocentista, o neo-realismo põe novamente em circulação as teses básicas e acrescenta-lhes outros matizes, fruto da evolução ideológica e política observada na primeira metade deste século.
Os seus adeptos, na linha do materialismo dialético, pregam a necessidade de transformar o mundo por meio da consciência das desigualdades sociais. Consideram decadente a burguesia e enaltecem o trabalho dos operários e camponeses, num populismo não raro beirando o simplismo ou a esquematização mecânica.
Admitem as causas econômicas e políticas como mais importantes, se são exclusivas da luta de classes.
O autor em estudo se enquadra nestes parâmetros, abordando um realismo crítico e sondagem lógica por vezes psicológica, das zonas profundas do social e do humano.
Dicionário de termos literários – Massaud Moisés


 A metáfora do título: Rosa, Vegetal de Sangue é um título repleto de simbologia em que podemos observar um apelo ao significado literal das palavras ao longo da obra.
Rosa é o nome da personagem principal; Vegetal, uma metáfora que mostra a vida vegetativa de Rosa, a sua prisão no apartamento que morava, sem perspectivas, sem juventude, conformada em ser apenas amante de Lobianco. E sangue é o termo que marca a violência sofrida pela protagonista. Vemos o contraste, pois sangue mostra que ela era humana, visto sua condição de vegetal.
O sangue também pode ser visto como um desejo de vida mais ativa, como ela mesma disse: “Preciso viver.” p.58 . Rosa tinha preferência pela cor vermelho-sangue, o que mais significava esse desejo.

 Misto de ficção e realidade: o autor se baseia na técnica do romance-reportagem, recriando a história de uma moça pobre, cuja foi tratada segundo as conveniências das pessoas envolvidas;
 Crítica ao modo burguês: o livro mostra o tipo de vida levado por aqueles que detêm o poder;
 Linguagem simples e direta: alternando-se os discursos (direto e indireto-livre).


• NOTA FINAL DE CARLOS HEITOR CONY

A história de Rosa Maria é inspirada num episódio da crônica policial do Rio de Janeiro. Em 1973, uma moça foi vítima de violência. Tanto os jornais como a polícia trataram do caso dela como uma leviana, quase uma prostituta. E a moça não era nada disso. Pelo contrário: em certo sentido, era bastante honesta, vivia com um homem casado, mas não o traia. E, o mais estranho no seu caso, foi de ter repelido, também a proposta de um grande personagem da vida pública, que estava disposto a toná-la sua amante oficial, com mais regalias e status. Ela recusou para ser fiel a si mesma. O fato não foi revelado na ocasião, nem nunca, mas nos bastidores foi muito comentado. Por tudo isso, pelos tipos que passam pelo romance, pelo ambiente e até mesmo pelas tramas secundária , Rosa, Vegetal de Sangue é uma tragédia carioca dos dias que correm.


“O fracasso é a mãe do sucesso”.


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